ACÃO
E ÓCIO
Iron
Junqueira
Trabalha
meu amigo, e não te canses. O trabalho honesto no cotidiano é bênção de Deus à
criatura.
É
durante as tuas atribuições que pensamentos consoladores te visitam a alma,
propiciando-te paz para as tuas dores e soluções para os teus problemas.
Forças
atuantes te revigoram o corpo a cada momento em que te entregas ao labor.
Energias benéficas te envolvem o organismo e o espírito, a cada momento em que
pretendes ser útil principalmente a teu semelhante, no campo da Caridade.
Já
te foi dito também que “o trabalho enobrece”, e que o ócio aniquila com o
individuo, e não ignoras que até mesmo os minúsculos insetos enfrentam trabalho
ininterrupto ofertando, aos homens, a lição de viverem trabalhando.
As
formiguinhas, no seu labor admirável, acumulam provisões no seu recanto, para
que o inverno não as encontre desprevenidas.
Bem
assim tem que ser o homem, na sua vida.
Enquanto
aprende, na escola da existência, o a-b-c- do Amor, saldando no dia a dia, os
seus débitos com a própria consciência, deve ir trabalhando incansavelmente,
acumulando provisões espirituais no Plano Maior, para que o inverno de uma vida
inútil não o encontre sem os produtos do trabalho constante.
E
para todos o Pai que nunca abandona um só de seus filhos, doou os talentos
ocultos que só afloram com o exercício do homem no trabalho, seja qual for a
sua atividade nobre, pois é somente através da ação bem cumprida, que os dons
divinos dispensados à criatura por Deus, se desenvolvem e produzem, alargando
os seus horizontes de conhecimento e melhorando a sua condição, caso esses
talentos sejam verdadeiramente honrados segundo os preceitos de retidão e
bondade.
Um
dia, chegando o homem diante do Grande Tribunal, para o acerto de contas com
sua consciência e com o seu Senhor, este, então, lhe perguntará, se tiver sido
negligente na vida:
—
Que fizeste dos talentos que te dei?
Que
poderá o infeliz responder? Poderá acaso dizer:
—
Senhor! Não me deste talento nenhum! Fui baldo de recursos intelectivos, e não
tive saúde, e não contei com um dom, tendência ou talento, bem como nada possui
em recursos materiais!
E
o Senhor, através da sua consciência, lhe responderá:
—
À pequenina abelha, dei o dom de te dar o mel, para o teu sustento; à
formiguinha dei o mesmo ânimo para o trabalho, a fim de que ela te ensinasse a
lição nobre do labor; às árvores dos teus bosques, dei os frutos e as flores,
para que te elas te alimentassem, te servissem, te amparassem; às avezinhas das
tuas florestas, dei o dom do gorjeio suave e lindo, para que elas te ninassem o
repouso...
A
cada criatura, desde a mais insignificante para ti, dei o talento, o dom de
servir, lutar, viver e progredir, porque então não os daria a ti, que é bem
melhor que simples voadores incômodos?
Não
santificaste o que te dei, honrando o meu nome e acendrando o teu espírito no
trabalho, ou na ação nobilitante.
Passa,
agora, para o meu lado esquerdo e sofre o ranger de dentes daquele que, tendo
tido tudo, não teve nada porque não quis esquecido de que o homem, tal como o
Modelo que lhe enviei, não deve ter, sequer, onde reclinar a cabeça.

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