AO ENCONTRO DE DEUS
Iron
Junqueira
—
A falta de vigilância aparta-nos da prudência e do acerto, conduzindo-nos à
precipitação e ao erro.
Quando
Jesus disse que “orássemos e vigiássemos”, antevia Ele o imenso torvelinho do
mal em que nos enveredaríamos, em vista do nosso descuido.
É
preciso que antes de qualquer decisão imediata, e antes de qualquer iniciativa,
reflitamos em torno do problema, recordando que o acerto só aparece na
ponderação que oferece a prudência.
Quantas
aflições não podíamos ter evitado se antes da decisão houvéssemos ponderado
serenamente, buscando “compreender, antes de sermos compreendidos, buscando
ajudar, antes de sermos ajudado”?
No
entanto, frente a qualquer contrariedade, inopinadamente nos explodimos,
perturbando a serenidade dos que nos cercam, ferindo corações enobrecidos,
envenenando algumas generosas.
Ah,
quanta desventura a falta de vigilância já nos trouxe a todos. Prejuízos
materiais e morais sem conta. Perda de amigos que deixaram de nos estimar, tão somente
por causa da nossa imprudência.
Todos
os crimes de que temos notícia, todos os dramas e inquietações, os atritos e
insucessos da nossa e da vida dos outros, tiveram origem na falta da Prudência
que sempre nos pede — “orai e vigiai”...
Sabemos
de fatos infelizes que culminaram com a alegria de famílias inteiras. Não
ignoramos que muitos de nossos irmãos já se precipitaram nos abismos mais
profundos, e nos labirintos do vício e do desvario — tão somente porque andavam
desnorteados e distanciados de Deus. E todo aquele que não adota os preceitos
do Cristo como norma de vida, facilmente se resvala no caminho e se precipita
no sofrimento.
Os
ímpios estão pululando ao lado dos incautos. As entidades sofredoras, a serviço
do mal, que se agitam no plano invisível, imantam-se às criaturas
desprevenidas, e fá-las agir segundo os seus propósitos escusos, arruinando-as
por toda a existência.
Mas
os infelizes das trevas, esses espectros errantes, soprando maldades no
espírito das criaturas — não suportam a carícia divina que a prece produz, e
não toleram a cautela e a retidão dos prudentes, e afastam-se deles,
mantendo-se, todavia, a espreitá-los, aguardando o ensejo de voltar a
tentá-los, pois tudo fazem para evitar o surgimento da luz no coração dos
homens, pois sabem que a luz no coração dos homens, pois sabem que a luz e o
amor, no coração dos viventes, representam o cerceamento de sua influência
negativa, e a expulsão de todo o mal que há nos homens, a cada passo que eles
dão, AO ENCONTRO DE DEUS.

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