DIGNIDADE E HIPOCRISIA
Iron
Junqueira
Há
pessoas que utilizam da mentira para justificarem pequenos deslizes que, se
tivessem dito a verdade, lhes seria mais compensável, pois quem mente no fútil
termina oficializando a mentira na seriedade.
Quem
tira de outrem o pouco, tira também o muito.
Quem
se habitua na mentira, termina por acreditar nas próprias inverdades,
acreditando-a serem verdadeiras.
Quem
falsifica um documento para enganar o chefe termina, um dia, à frente do
tribunal: um documento mentiroso é a prova de que a pessoa não está sendo
verossímil.
Quem
foge do trabalho, fazendo cenas e simulações, será desmascarado um dia, porque
o trabalho é tão sério e útil que por si mesmo não gosta de ser ludibriado.
Se
alguém pensa estar sendo esperto escondendo a realidade dos outros, está a cada
dia demonstrando que pode enganar aos outros por alguns dias, a mais, não o
tempo todo.
Quem
finge abraçar uma causa nobre, vestindo a camisa da responsabilidade falsa, não
percebe que a camisa é frágil e breve se rasga na farpa da mentira.
É
muito bom acreditar na Caridade, procedimento a que muitos crentes discordam e
até protestam. Mas todos sabem que a ausência da solidariedade sob qualquer
pretexto é atestado de usura e avareza, pois caridade é dever.
Deus
não nos isenta do ar que respiramos e que nos lega a vida, pretextando que o ar
é apenas um efeito natural do mundo material. Mas o ar não precisa de nome
especial para nos assegurar a existência. Não fuja da caridade por desculpa
nenhuma. A caridade foi ensinada por Jesus e Paulo de Tarso. Igrejas de pedra e
argamassa são inventos de religiosos, alguns hipócritas e gananciosos.
Dignidade
vitaliza a personalidade do indivíduo, mas não serve como alimento do corpo.
Dignidade
pode ser uma riqueza para o caráter, mas não é um valor com que se adquire o
medicamento para a cura de um enfermo.
Dignidade
é estrutura para a sua personalidade, mas não substitui a ajuda que você deve
ao necessitado.
Solidariedade
rima com dignidade, mas apenas rima, pois caridade se identifica com amor,
respeito e, sobretudo, muita compreensão.
Dignidade
é uma qualidade do espírito, não uma moeda que a gente passa, ajuda e salva.
Aquele
que não tem dignidade, e se a recebe de você, poderá um dia lhe encontrar em
outra ocasião, estando você precisando de uma ajuda que não se conquista com
palavra bonita e rebuscada. Mas com a mão calosa de quem lhe recebeu conselhos
de dignidade e, depois de ajudá-lo, nem quererá lhe ouvir a palavra de gratidão.
Contudo, lembrará que um dia, querendo um pão lhe deste a dignidade que, por
melhor que fosse — não lhe mitigou a fome.
Aprenda
meu caro, a ser objetivo e não um dicionário recheado de palavras fugidias à
responsabilidade do verdadeiro ato de servir.
Se
palavras bonitas resolvessem o problema da plebe rude, o governo distribuiria
dicionários em vez de remédios, escolas e hospitais.
Se
você se recusa a prestar uma caridade moral ou material, não terá melhorado a
condição do infeliz que teve a honra de receber uma Bíblia quando não sabia
ler, enquanto sua esposa morria por lhe faltar o necessário socorro à saúde.
Não
lhe adianta coisa alguma andar com o Evangelho debaixo do braço quando nem sabe
discernir as Leis de Moisés e às de Jesus.
Obrigado
pela instrução falha que me oferece, porque diante do Senhor não escutará d’Ele
que uso fez de sua dignidade embora sagrada, mas como você empregou o Evangelho
de Amor que lhe deixou à disposição.
Acrescentando:
“Se
não tiver caridade, não lhe adianta, sequer, falar a voz dos anjos”.

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