NA HORA DO TESTEMUNHO
Iron
Junqueira
E triste, orei ao Pai,
rogando-lhe força e humildade para que eu, arredando de minha alma o orgulho, a
vaidade e a arrogância, não tentasse, nem de leve, qualquer resistência ao mal,
para que as suas ondas negativas, agitadas com a minha resistência, não me
perturbassem o equilíbrio, em prejuízo do meu trabalho humilde, na seara do
amor.
Então,
sob manifesto bem estar, pareceu-me ouvir, no íntimo de meu ser, a voz talvez
da minha consciência, a dizer-me, branda:
—
“Curvai”! Curvai a vossa fronte, na hora do testemunho! Recordai que o vosso
líder, incompreendido e insultado, não só foi vítima do escárnio, da calúnia e
do opróbrio, como também foi presa de carrascos e sofreu, em silencio, toda
sorte de perseguição!
—
Mas, — falei — eu não sou o Cristo!
—
Todavia, fostes chamado à humildade e ao acrisolamento necessário e, para
tanto, tendes, por dever, de seguir os passos do mestre e pelo menos, tentar
exemplificar os seus preceitos!
Nas
trilhas da erraticidade, muito semeastes o pranto alheio e, em muitos corações,
deixastes a marca dolorida do vosso ódio, do vosso orgulho, da vossa
arrogância!
Com
a vossa palavra, destruístes sonhos e venturas alheias, feristes companheiros
bons e humildes, gravando, em seus corações, todo o mal que não esperavam!
Derrubastes
vidas alicerçadas na bondade, dilacerastes corações esperançosos, praticastes o
mal e amargurastes a muitos — muitos.
Após,
em ocasião feliz, aspirastes à remissão dos vossos pecados e, em preces, arrependido,
fustigado pelo remorso tardio, assumistes, com a justiça divina, o dever de
perdoar, não sete vezes, mas sempre para que fôsseis, também, perdoado!
Assumistes,
com o evangelho de Jesus no peito, o compromisso de caminhar nas trilhas do
bem, sem vacilações, sofrendo, paciente resignado, todo o mal que fizessem
contra vós, revidando-o apenas com o perdão, com a humildade e com a paciência.
Agora,
sois chamado a testemunhar o que aprendestes do Cristo! A tempestade do momento
é permitido por Deus, para que sejais testado na vossa fé!
Curvai
a cabeça! Na verdade, mereceis a incompreensão de muitos porque, um dia, também
não quisestes compreender, quando contáveis, igualmente, com uma cabeça para
pensar, e com um coração para sentir!
O
vosso orgulho, a vossa vaidade e a vossa arrogância, filho, necessitam dos
temporais desfeitos, para serem varridos, de uma vez por todas, do vosso “eu”.
Curvai
a cabeça e atendendo a vosso mestre, orai pelos que vos não querem bem! Calai
qualquer revide, ou caireis desprevenido, nas ondas do mal que, qual um tufão,
pretende vos arrojar num abismo, de onde, então, não podereis sair tão cedo!
Lembrai,
finalmente, do líder: — “Aprendei de mim que sou manso e humilde de coração”...
“Fazei
o bem a quem vos fizer o mal”...
“Perdoai!
Perdoai, não sete vezes, mas sempre, sempre, sempre que preciso”!

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