segunda-feira, 18 de abril de 2016

NÃO ESPEREMOS PELOS OUTROS 16/04/2016

NÃO ESPEREMOS PELOS OUTROS
Iron Junqueira



            Todos nós, diante dos problemas sociais e perante os flagelos que imolam os desventurados de toda natureza, sentimos na consciência o chamamento ao dever cristão que nos pede a cada um em particular, fazer da sua parte, para que minorem as provações alheias e sejam suavizadas as dores dos nossos irmãos.
            No entanto, pretendendo expulsar de nossa consciência esse chamamento enérgico que nasceu em nós mesmos; querendo fechar a porta do coração, que nos impulsiona, mesmo por tranquilidade de espírito, a socorrer esses infelizes; e para que não nos perturbem o egoísmo, o indiferentismo, o comodismo próprio a tal sofrimento alheio, acostumados a reclamar, agastados e coléricos:
            — Por que as autoridades não cuidam desses párias da sorte?
            — Por que as entidades filantrópicas não resolvem os problemas da mendicância?
            — Por que os políticos não sanam os males sociais?
             E frase como estas escapam de nossas bocas sempre que a consciência nos fustiga o egoísmo, o comodismo e o indiferentismo quanto aos menos afortunados do mundo.
            Devemos compreender que desde há milênios a terra conta com os governantes, com os políticos, com os filósofos, com os homens públicos, de toda natureza e — no entanto, até hoje, eles não se dispuseram a cuidar dos seus irmãos carecidos de amparo, de escola, de socorro, de remédio, de assistência — e tudo o mais.
            Isto porque vivem todos às voltas com os seus problemas, como cada um de nós outros.
            Não podemos mais esperar pelos poderosos da terra, e nem pelas suas organizações meramente políticas e superficiais.
            Cada um de nós temos que fazer de nossa parte todo o bem possível, colaborando assim com o saneamento dos problemas sociais, flagelos esses que vêm ao encontro de cada um de nós porque são sementes imprestáveis semeadas coletivamente, ou seja — por todos nós, células vivas da humanidade de ontem e de hoje.
            Não podemos procurar evasivas quando a consciência começar a nos chamar ao dever de acudir e ajudar no campo da beneficência, do amparo e do socorro aos menos felizes que gemem e sofrem nos cantos da vida.
            Não procuremos subterfúgios dizendo que os problemas sociais representam deveres apenas das autoridades, das organizações e de todos os poderosos da terra — nada disso...
            ...Cabe a nós mesmos cumprir com os nossos deveres, mesmo porque, “se não acontece nada a não ser pela vontade do Pai que está no céu”, a presença de um infeliz diante de nós é um chamamento silencioso de Deus a nos tocar a consciência e o coração para a lembrança do dever que temos a cumprir perante uns aos outros, dever este que corresponde à fraternidade exercida através da beneficência, do amor ao próximo e do trabalho edificante no campo sublime da Caridade.
            Se os problemas sociais fossem para ser solucionados apenas pelas autoridades do mundo, não havia Jesus pedido aos homens ricos e pobres, indiscriminadamente: “Fazei o bem sem olhar a quem”...

            “Fora da caridade não há salvação”...



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