Iron
Junqueira
Sofre
o espírito a asfixia dos nossos defeitos, a intoxicação das sombras e das tendências
inferiores que em nós há.
Então
nasce o desespero, a agonia indefinida, a tristeza, a mágoa, o desânimo, a
profunda melancolia.
E
uma saudade de outro mundo, de outra vida, de outras regiões que nos inquieta o
espírito recluso nas conveniências do encarnado, e temos vontade de atingir
culminâncias, na libertação jubilosa das provações.
Contudo,
a consciência, pesada ainda pela recordação de amargos incidentes, e carregada
também pelas sombras dos erros cometidos, pede-nos um pouco mais de paciência e
de esforço, no afã de que possamos aproveitar o ensejo da vida, e desfazermos
os erros cometidos, com a valorização das horas em trabalhos nobres em
benefício do próximo e da Causa do Bem.
Muitos
de nós, no ápice do tormento, recorremos a drogas e processos errôneos a fim de
anestesiarmos a consciência carregada de sombras e iniquidades, mas cedo ou
tarde, quando já sem outros recursos de fugirmos de nós mesmos, somos forçados
a enfrentar a grande realidade — ah, como, então, percebemos, estarrecidos, a
extensão imensa das sombras que curtimos em nossos corações!
Por
isso, é que nós, ao invés de fugirmos de nós mesmos, e em vez de anestesiarmos
a consciência ou evitar amargas recordações, de atos e erros, enganos e falhas
cometidas — ao invés disso, devemos enfrentar, agora, a grande realidade e
recomeçar acertando, não mais adiando o momento do reajuste ou teremos nossas
falhas e suas consequências agravadas.
Caso
cometamos um crime, e se o remorso já nos fustiga, renovemo-nos, agora,
passando a fazer todo o bem que jamais fizemos. Procuremos, doravante, evitar
outros atritos e outros desastres, estendendo mão conciliadora a todos os que
plantam divisão e discórdia. Espalhemos os dons maravilhosos da paz e da
eternidade, da luz e do amor ao próximo, e já teremos um pouco aliviado o nosso
espírito atribulado de remorso e arrependimento.
Quem
sabe fomos a causa de um grande sofrimento, na vida do semelhante, aprendamos
agora a socorrê-lo direta ou indiretamente, ajudando-o de todas as maneiras
possíveis, para que a nossa consciência se liberte do castigo que nos inquieta
e nos sacrifica.
Finalmente,
infeliz, se desejas a alegria e se não queres que a tristeza teça ninhos de
perturbação no teu espírito, começa, não amanhã, mas agora, a fazer todo o bem
que nunca fizeste, e verás como os dons divinos da Suprema Justiça, em que não
acreditavas se derramarão sobre tua alma, doando-te a alegria que doaste a
outros, ao socorrer necessitados — e a amparar os infelizes.
E
verás como a felicidade caminhará contigo pelas trilhas da existência, vencendo
escolhos, vencendo barreiras, vencendo transes, e fazendo descortinar ante as
faculdades do teu espírito, novos horizontes de verdades e novas fontes de
alegria, fé e esperança.
Caminhemos,
amigos. Desfaçamos toda falha com a prática da Caridade e com o grande esforço
de renovação íntima, para que, assim, a desventura desapareça para sempre de
nossos corações, dando lugar à perene alegria e a grande felicidade que emana
de quem luta no Bem, para se sentir livre das CALIGENS DO MAL.

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