sexta-feira, 20 de maio de 2016

CALIGENS DO MAL 15-05-2016


Iron Junqueira

            Sofre o espírito a asfixia dos nossos defeitos, a intoxicação das sombras e das tendências inferiores que em nós há.
            Então nasce o desespero, a agonia indefinida, a tristeza, a mágoa, o desânimo, a profunda melancolia.
            E uma saudade de outro mundo, de outra vida, de outras regiões que nos inquieta o espírito recluso nas conveniências do encarnado, e temos vontade de atingir culminâncias, na libertação jubilosa das provações.
            Contudo, a consciência, pesada ainda pela recordação de amargos incidentes, e carregada também pelas sombras dos erros cometidos, pede-nos um pouco mais de paciência e de esforço, no afã de que possamos aproveitar o ensejo da vida, e desfazermos os erros cometidos, com a valorização das horas em trabalhos nobres em benefício do próximo e da Causa do Bem.
            Muitos de nós, no ápice do tormento, recorremos a drogas e processos errôneos a fim de anestesiarmos a consciência carregada de sombras e iniquidades, mas cedo ou tarde, quando já sem outros recursos de fugirmos de nós mesmos, somos forçados a enfrentar a grande realidade — ah, como, então, percebemos, estarrecidos, a extensão imensa das sombras que curtimos em nossos corações!
            Por isso, é que nós, ao invés de fugirmos de nós mesmos, e em vez de anestesiarmos a consciência ou evitar amargas recordações, de atos e erros, enganos e falhas cometidas — ao invés disso, devemos enfrentar, agora, a grande realidade e recomeçar acertando, não mais adiando o momento do reajuste ou teremos nossas falhas e suas consequências agravadas.
            Caso cometamos um crime, e se o remorso já nos fustiga, renovemo-nos, agora, passando a fazer todo o bem que jamais fizemos. Procuremos, doravante, evitar outros atritos e outros desastres, estendendo mão conciliadora a todos os que plantam divisão e discórdia. Espalhemos os dons maravilhosos da paz e da eternidade, da luz e do amor ao próximo, e já teremos um pouco aliviado o nosso espírito atribulado de remorso e arrependimento.
            Quem sabe fomos a causa de um grande sofrimento, na vida do semelhante, aprendamos agora a socorrê-lo direta ou indiretamente, ajudando-o de todas as maneiras possíveis, para que a nossa consciência se liberte do castigo que nos inquieta e nos sacrifica.
            Finalmente, infeliz, se desejas a alegria e se não queres que a tristeza teça ninhos de perturbação no teu espírito, começa, não amanhã, mas agora, a fazer todo o bem que nunca fizeste, e verás como os dons divinos da Suprema Justiça, em que não acreditavas se derramarão sobre tua alma, doando-te a alegria que doaste a outros, ao socorrer necessitados — e a amparar os infelizes.
            E verás como a felicidade caminhará contigo pelas trilhas da existência, vencendo escolhos, vencendo barreiras, vencendo transes, e fazendo descortinar ante as faculdades do teu espírito, novos horizontes de verdades e novas fontes de alegria, fé e esperança.
            Caminhemos, amigos. Desfaçamos toda falha com a prática da Caridade e com o grande esforço de renovação íntima, para que, assim, a desventura desapareça para sempre de nossos corações, dando lugar à perene alegria e a grande felicidade que emana de quem luta no Bem, para se sentir livre das CALIGENS DO MAL.
                                                                                                            


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