segunda-feira, 6 de junho de 2016

DISSE ALGUÉM


Iron Junqueira

            Não estamos autorizados a condenar o próximo em hipótese alguma, seja ele quem for. Nem mesmo os que, diligenciados pela ignorância, esparramam a morte e o pranto no caminho alheio.
            Houve alguém que, assentando-se à mesa com malfeitores, respondeu às inquirições de hipócritas acusadores, dizendo-lhes:
            — “Os sãos não precisam de médico.” E aos que maldizem os outros, alertou alguém:
            — “Não acuseis para não serdes acusados. Com a mesma medida com que medirdes, vos medirão também a vós...”
            E aos que tecem os fios da maledicência, urtigando o coração alheio e perdendo tempo com motejos aos que servem no Bem, anunciou:
            — “Tudo o que fizerdes ao vosso próximo, é a vós mesmos que o fazeis...”
            E aos que abusam da palavra, semeando, com ela, o que não presta, declarou:
            — “Nem só de pão vive o homem, mas de toda palavra que sai da sua boca...”
            E aos que esparramam o sofrimento de qualquer natureza, asseverou:
            — “Pagareis ceitil por ceitil de todo mal que fizerdes...”
            E às criaturas arrogantes e cheias de presunção, que não se cansam de menosprezar o próximo, adiantou:
            — “Aquele que se exaltar, será humilhado.”
            E aos acusadores:
            — “Aquele que estiver isento de erros, atirai a primeira pedra.”
            E aos que procuram o segredo da Paz e da Ventura nas coisas perecíveis do mundo, revelou:
            — “Fazei ao próximo somente o que desejais que ele vos faça...”
            E finalmente, aos que trabalham sofrendo humilhações, mentiras, injustiças e maldades por parte dos negligentes, disse:
            — “Bem-aventurados sereis quando, vos injuriando, fizerem todo mal contra vós por meu respeito — pois grande será o vosso galardão nos céus...”
            A língua humana é portadora da perturbação e da morte, quando mal dirigida.
            Não nos faltam advertências nem fatos comprobatórios, anunciando que a maledicência deve, o quanto antes, ser extirpada dos nossos lábios, porque é bem preferível ser vítima da ofensa sem qualquer revide, que ser o ofensor carregado de sofrimentos inauditos. É bem melhor amar, perdoar e servir sempre, que ser amado, perdoado e servido. DISSE ALGUÉM.


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