Iron
Junqueira
A
criatura orgulhosa sofre no mundo os martírios de todos os lances que lhe
venham abater a presunção e o amor próprio, razão pela qual a cólera muitas
vezes lhe domina o coração e comanda os impulsos.
Enquanto
o orgulhoso não pedir a Deus força, através da vontade e do esforço, para se
reclinar diante das desabridas provações que vêm apenas para lhe abater o
orgulho, não encontrará o sossego e a felicidade com que tanto sonha.
Quantos
sofrimentos não padece o orgulhoso no silêncio da sua revolta e nas aflições do
seu egoísmo, da sua vaidade apenas porque não deseja se dobrar à vontade de um
poder maior que, para o seu próprio bem, deseja reclinar a sua fronte, abrandar
os seus ímpetos e amansar o seu coração.
Criaturas
há que, por simples caprichos do egoísmo, da vaidade ou do orgulho, são a causa
primária de dramas e tragédias sem conta, bem como de sofrimentos inenarráveis
da família inteira que lhes estão subjugadas na condição de filhos e esposas,
esposos ou filhas.
Quando
a Justiça Maior, com os seus processos inesperados, vem para abater a
superioridade falsa dos orgulhosos, ei-los então a retorcer-se de aflição e
angústia no interior de sua alma rebelde e de seu coração autoritário e
violento.
Esses
tais, cujos corações são arsenais do orgulho, onde as armas do mal se
movimentam nos momentos de cólera transformando-se em verbo agressivo, atitude
irreverente, medida violenta, atitude drástica — esses tais se pudessem ter a
coragem do forte, então pediriam a Deus, no silêncio e na solidão de seus
quartos, a força imprescindível para que pudessem suportar o transe difícil que
lhes veio apenas para lhes dobrar a fronte, para lhes reclinar a autoridade e
para lhes abrandar o coração.
Se
os orgulhosos tivessem essa força, então poderiam conquistar de Deus o concurso
necessário para suportarem sem tanta dor e sem tanto sofrimento, todos esses
instantes de humilhação e padecimento que vêm aos seus encontros tão somente
para lhes tornar mansos e humildes, pequenos e fraternos.
Tu,
alma orgulhosa, idêntica à minha, aceita o conselho que lhe venho oferecer:
rogue ao Pai de Amor a força, e Ele te atenderá, porquanto avisou-nos o seu
Medianeiro Sublime:
—
“Faze da tua parte, que Eu farei da minha...”
—
“Pede, e obterás”.
—
“Tudo o que pedires com fé, crê, que receberás”.
—
“Bem-aventurados os humildes”...

Edificante texto, como sempre. Um abraço fraterno.
ResponderExcluirOlisomar Pires