Iron
Junqueira
Todos
nós que já conhecemos, pelo menos em parte, o espírito real dos preceitos de Jesus,
carregamos, nos ombros, um imenso fardo de responsabilidades, deveres estes que
não podem ser adiados, porque adiados já foram, desde séculos atrás.
O
Evangelho, para os que já o conhecem, é tal como uma urna divina, em cujo bojo
estão as melhores sementes para o melhor plantio. E todos os que já tiverem
contado com as verdades celestes, retêm essa urna sagrada que precisa ser
aberta para que as sementes das luzes eternas sejam semeadas.
No
entanto, retendo, conosco, essa urna divina, o que fazemos de especial? Nada.
Apenas deixamo-la de lado e estamos, no campo da vida, correndo atrás de
ilusões e banalidades, ávidos de sensações e de posses materiais, que nada
trarão de especial para a nossa alma.
De
quando em vez, o Verdadeiro Dono da vinha, através de seus intermediários
espirituais vem perguntando-nos pelo que fizemos de especial com as sementes
sagradas que Ele nos entregou, ao fazer-nos conhecedores do Evangelho. Então, o
Anjo Bom, que nos assiste a todos, pelos fios maravilhosos da intuição, pergunta-nos,
benevolente:
—
O campo do Nosso Pai ainda não foi trabalhado por vós. E todos vós que
retendeis a urna das sementes — que é o Sagrado Evangelho — tendes por dever
que semear, pois fostes chamados a trabalhar para o Supremo Senhor, nesse campo
extenso e maravilhoso da Caridade e do Amor, e não podeis permanecer inertes no
desânimo, ou correndo atrás de borboletas azuis...
Vede
como é imenso o vinhedo do Nosso Pai. Notai também como foram muitos os
chamados. Como foram demais os que receberam na urna das sementes divinas — mas
reparai também, amigos, como são poucos os que, na lavoura do Pai, já semearam
as sublimes sementes.
Piedade!
Semeai, semeai! Essas sementes já eram para ter dado outras sementes, após
terem dado flores, frutos e perfumes! Mas, oh tristeza! Dentre vós, há os que,
infelizmente — sequer abriram a urna!
...
E chegara o tempo de eles já estarem descansados sob as árvores das sementes
que plantaram.
Olvidemos,
meus amigos, as borboletas que voejam pelos campos; olvidemos o comodismo que
nos oferece o caminho largo das ilusões, e abramos, sem demora, a urna das
sementes espirituais, semeando-as, primeiramente em nossos corações — para que
a árvore da nossa beneficência, doando sombra, flores, perfume e frutos para
todos, sejamos, também, o abrigo acolhedor para o nosso espírito, após os
sacrifícios e refregas da luta.
Benditos
todos aqueles que semeiam as divinas sementes da urna que receberam, pois um
dia, depois do plantio, colherão EM ABUNDÂNCIA.

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