Iron
Junqueira
Para
os desprevenidos no caminho da existência, a riqueza mal dirigida é o
coagulante das suas fraquezas.
O
insensato utiliza dos seus recursos financeiros para sustentar os seus vícios,
para impor a sua vontade, para estimular os seus caprichos e para movimentar os
seus instintos.
Usa
do seu poder monetário para todas as suas satisfações dignas e menos dignas,
esquecido, por completo, de que o dinheiro — embora abençoado por Deus, porque
serve o homem — é também convite ao precipício e à perdição, se mal aplicado.
Atenta,
pois, amigo: se não estás apto a movimentar a fortuna que reténs — cuidado! “A
quem muito foi dado, muito será exigido”.
Os
calouros no campo da abastança utilizam o seu ouro para darem vasão às suas
tendências negativas, complicando suas vidas irremediavelmente, acabando nos
hospitais, nos manicômios e nas cadeias, quando não são colhidos prematuramente
pela morte.
Quando
pois o abastado é desprevenido, a sua riqueza não passa, na verdade, de
estimulante da fraqueza.
Tudo,
na vida, tem a sua utilidade certa e santa, mesmo as coisas mais simples. Se
não, vejamos:
A
folha seca e pequenina perdida no chão, é alimento para os insetos e
animálculos;
O
anelídeo, no subsolo, além de ter infinitas utilidades — das quais muitas
desconhecidas — colabora, ainda, com a respiração da terra;
O
seixo minúsculo da estrada — disse alguém — “faz sombra à formiguinha cansada
do labor”;
O
charco, embora imundo e pestilento, rutila sob as claridades do dia, ensinando,
à criatura, que em tudo há o lado bom e a bênção de Deus...
O
graveto pequenino do caminho é instrumento que remove o inseto venenoso...
Ora,
se todas as coisas da vida, mesmo as mais singulares, têm a sua utilidade
santa, quão divina então — e isto todos sabem — não é a serventia da riqueza ou
do dinheiro?
Com
o dinheiro, pode-se espantar a ignorância, construindo escolas para a infância
e para os adultos, e casas de correção para os delinquentes, e núcleos de
orientação geral, ampliando o conhecimento humano, contribuindo com a evolução
moral da criatura, sanando, de vez por todas o problema do crime e da miséria.
Com
a riqueza, pode-se distribuir a saúde e a alegria, montando hospitais para a
pobreza, e abrigos à criança desamparada.
Não
é necessário enumerar as utilidades sublimes do dinheiro, porque ninguém ignora
que a vida material quase que só se movimenta à força incontestável dos
cifrões.
Mais
ai dos incautos, dos desprevenidos, dos desavisados, que não sabem governar, no
bem, os seus bens! Ai deles! Bem melhor lhes seria haverem nascido pobres, se
não souberem santificar os seus talentos!
Pode
ser amigo, que um dia passe a tua riqueza, tal como passa tudo o que é efêmero
e ilusório, apenas porque não soubeste usar, com tirocínio e caridade, os teus
patrimônios.
Então
sentirás a represália da miséria, no intuito de aprenderes a exaltar o que é
santo, de valorizares, na ação beneficente e constante, a riqueza que te foi
confiada — “confiada assim como uma ferramenta que o senhor coloca nas mãos do
seu servo, e se essa ferramenta for uma enxada tudo não indica que ele deva
cavar”?
A
ferramenta que te foi dada deve ser utilizada na lavoura da tua alma, quando
deves plantar o bem para os teus semelhantes, no afã de conheceres, depois, das
mãos do Senhor, a recompensa do teu plantio, recompensa essa que vale muito
mais do que os tesouros de Salomão, e disto bem o sabes.
E
há os que são tão desprevenidos que, apesar de ricos, sofrem toda sorte de
misérias, apenas porque, tão alheios estão às REALEZAS DIVINAS que não sabem,
sequer, louvar e agradecer a Deus, pela bênção da riqueza, ou pela alegria da
saúde... Ou pelo prêmio de estarem, ao menos, com as unhas bem tratadas... Ou
pela graça do lar feliz, onde a gurizada goza — graças ao Pai do Céu — o amor
dos genitores!
Há
os desprevenidos que, cegos e endurecidos pelos seus recursos econômicos, não
se recordam, ao menos, de agradecer a Deus por não haver experimentado, ainda,
a lição da miséria e da fome...
E
nem lhe agradecem pela roupa, ou pelo pão, ou pelo remédio, ou — simplifiquemos
— pelos dias de folga, ou pelas oportunidades de palestra nas esquinas, ou pelo
conforto doméstico.
Em
reconhecimento à Bondade Suprema, que lhe aquinhoou com os tesouros sublimes da
fortuna, deviam, pelo menos, santificar as suas riquezas, no exercício da
CARIDADE que é PRUDÊNCIA!
Amigo:
não sejas desprevenido no caminho da existência, se reténs fortuna abençoada —
MOVIMENTA NO BEM OS TEUS BENS!

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