Iron
Junqueira
Depois
de reiteradas visitas àquela cidade e não o encontrando porque trabalhava em
vários locais, sentiu que estava difícil encontrar o seu amado Rui e deixou um
recado com a vizinha do local onde ele também trabalhava. Tendo recebido o
endereço dela, foi ele à capital do citado bairro. Lá chegando viu um senhor
magro, alto, húngaro, tipo austero, a quem se dirigiu.
—
O senhor é o pai da Any?
—
Sim. Sou. E você é o vagabundo dela?
—
Vagabundo é o senhor! Não é o pai dela? Respondeu o moço, um tanto emputecido.
—
Pois ela, de novo, foi atrás de você. Respondeu o senhor de um alpendre onde se
preparava para adentrar a casa.
—
Pô!!! Outro desencontro? Exclamou Rui. Ela me desencontrando na cidade minha e
eu a desencontrando na dela! Até quando? Pensava ele, enfurecido, enquanto
retornava o percurso feito da estação de ônibus à casa do estrangeiro genitor
da garota.
Pelas
ruas rememorava: mas quantas vezes ela esteve na minha cidade, foi à casa em
que minha mãe e meus manos moravam, ficou conhecendo a todos, e não teve a
chance de me encontrar... Não entendo... Foi à rádio, eu não estava; foi ao
jornal, também eu não estava; foi às vizinhas, não me viam há dias; foi à
construção que eu fazia, disseram-lhe que eu “acabara de sair”... Não
entendo... Preciso encontrá-la...
Assim
pensava Rui enquanto exercia um amontoado de trabalhos... E o tempo foi rolando
e os desencontros dos dois se repetindo...
—
Esteve uma moça hoje de manhã procurando por você! Eram os colegas de rádio, o
dono da livraria, porém, Rui nem mais dava atenção a esses avisos... Não havia
como encontrá-la...
—
Dona Isabel, se ela aparecer de novo, diga-lhe que se esqueça desse encontro
que, parece, não ocorrerá nunca!
Disse
ele à senhora que cuidava da sala de palestra que ele frequentava, ao que ela:
—
Vou falar isso não, filho. Sei lá se ela surge um dia...
De
fato o tempo, a insistência de encontrarem-se foi inútil, pois não valeu tanto
intento, que os acontecimentos se sucediam.
—
Espere mais um pouco Rui!
Entretanto
o rapaz não dava mais importância aos avisos e, certo dia, depois de encontrar
Maria, Rui casou-se.
Estava
o rapaz numa instituição de atendimento a carentes, onde fora indicado diretor,
quando um dos beneficiários lhe disse:
—
Tem uma mulher no seu escritório, esperando-o.
Tranquila
e calmamente deixou as pessoas a quem atendia em companhia de sua esposa e foi
até seu escritório, atender quem o esperava. Tão logo entrou na sala, foi
enlaçado por afetuoso abraço, ao mesmo tempo em que ouvia.
—
Enfim, encontrei-o! E não o perderei jamais.
Rui
foi observar, era ela — a primeira e inesquecível namorada, Any, filha de malcriado
estrangeiro.
—
Você, Any? Longo foi o caminho do reencontro, hein?
—
Bem mais longa a espera! Respondeu a jovem. Agora não o perco mais. Never! Never!
Rui,
de semblante entristecido e assustado, se mantinha em silêncio, enquanto ela:
—
Agora sim! Nos casaremos, teremos filhos...
Num
certo momento surgiu a chance e o rapaz contou-lhe a realidade de ambos.
Aos
prantos Any enxugava o rosto com as costas das mãos, exclamando:
—
Não pode... Não é possível... Agora é que entendo o porquê de tanta demora... —
e saindo, sem olhar para traz, tomando o burburinho da rua, murmurava.
—
Era tarde demais para nós.

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