sexta-feira, 29 de julho de 2016

LÁ SE FOI... QUEM NÃO FOI MINHA - 29/07/2016


Iron Junqueira

            E ela surgiu... Bela, vestido contornando as curvas do corpo, morena, linda, sapato de salto alto, vistosa, perfumada...
            Olhava-o como se houvera dominado sua presa. Que ficou deslumbrado. Não havia percebido, ainda, o quanto era perfeita, a linda morena, que, finalmente, lhe disse, explicando sua aparição à porta de sua casa.
            — Vim para dar uma volta com você, neste bairro longe do centro...
            — Mas você está linda, pronta para uma festa?
            — Não, disse ela, pronta para você...
 Notando que ele não entendia nada, deu-lhe a graça de uma explicação.
            — Estou pronta para o meu último dia de solteira... Com você!
            — Você vai se casar então?
            — Sim, vou. Não pude lhe esperar...
            E foi mais clara:
            — Você nem se deu por conta, sequer, que eu te amei a vida toda e sempre me tratou como uma colega de escola. Daquelas que você só lembra quando não tem outra ao seu lado...
            — Nossa! Exclamou. Eu fui assim?
            — Sempre foi.
            — Oh, desculpe-me, Omaíra...
            — Mas como o Rilmar vivia pedindo minha mão em casamento, desistiu de o fazer a mim, e foi pedi-la a meu pai...
            — E dai? Indagou Lucas.
            — Meu pai demorou um mês esperando minha decisão...
            — Mas eu não sabia de nada! Explicou o rapaz.
            — Foi o que notamos. Explicou Omaíra. Rilmar foi diante do meu pai e forçou a barra dizendo que “você não estava nem aí” para nós e até nos viu sair juntos do cinema...
            — É verdade Omaíra. Juro que eu não sabia que estávamos namorando... Afinal, nunca nos falamos de namoro mesmo, né?
            —Tive que aceitar o convite do Rilmar.
            — E agora? Indagou o interlocutor, ex-pretendente dela.
            — Agora, meu namorado favorito, vim despedir-me, oferecendo “meu último dia a você, com quem eu queria viver toda uma vida de casada”...
            — Engraçado... Vocês pensam... Resolvem as coisas... Deliberam... Mas nunca falam nada... De repente, eis a surpresa!
            — Se você, que agora sabe de tudo, estiver disposto a casar-se comigo?...
            — Agora é tarde. Respondeu Lucas. Tanto o rapaz quanto a família de ambos estão, todos, comprometidos... Agora é tarde... Muito tarde...
            E assim conversando o jovem casal passeava pelo jardim daquele bairro. Ela linda. Mais do que nunca. O rapaz feliz por saber-se amado por ela, mas intimamente massacrado por ter sido tão grandemente distraído...
            Sentaram-se num banco do local tranquilo e, entre as folhas e borboletas, se entreolhavam mudos, pensativos e tristes.
            “Meu Deus, como ela é bela! Que amorenado igual... que sorriso... por que não me disse antes que me pretendia como esposo”? Pensava Lucas...
            — Mas me escolheu para sua companhia no seu último dia de solteira? Por quê?
            — Nesse dia — disse ela — talvez você não saiba, tanto o noivo quanto a noiva, têm direito ao seu último dia de solteirice...
            — Sim. Sabia. Só não sabia que o nosso estava tão próximo...
            — É... Enquanto você se envolvia com tantas... — O tempo passou.
            — Por             que você me escolheu?
            — Eu já lhe disse... Você foi o único...
            — Não. Não fui. Havia o Rilmar!
            — Porque ele me ama! Lutou. Pediu minha mão!
            — Ok... Entendi... Não era para ser a minha...
             E de braços abertos ao longo do encosto do banco, tendo Omaíra ao seu lado, e esta, percebendo-o calado, disse-lhe:
            — Não se preocupe, Lucas. Ele foi passar seu último dia em Goiânia e eu não disse a ninguém que viria ao seu encontro... Último anseio... Último desejo...
            E ali ficaram os dois até que anoiteceu. A lua os iluminava e às flores do jardim, enquanto a brisa beijava suas frontes e seus lábios trocavam o último beijo.
            — Agora preciso ir... Sozinha...
            — Eu sei.
            Levantou-se... Ajeitou o corpete do vestido... Sorrindo soprou-lhe um último beijo levado pelo belo e sorridente adeus!
            — Adeus, meu querido... Foi maravilhoso... Enquanto durou...
            — E daqui para frente? Indagou Lucas.
            — Só Deus o sabe.
            E foi saindo de mansinho, tisnada pelo prateado beijo da lua.
            Enquanto o rapaz, triste, no banco, concluía, com voz quase apagada.
            — Lá se foi quem não foi minha.
19- Julho-2016




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