Iron
Junqueira
Quando
tenhamos alcançado um extenso caminho de lutas vencidas, de tempestades
enfrentadas, as quais não veremos mais, descido vales transtornado montanhas e
rompido muitos montes, e à sombra de uma paineira descansado...
Olhando
de cima o íngreme e tosco tempo transcorrido, damos por conta de que muito
úteis fomos e nem o percebemos...
Erguemos
casas e abrigos, dando proteção e segurança a tantos; carregados a tristeza de
muitos e a alegria também, notamos em nós uma diferença enorme quanto aos
outros caminheiros.
A
gente explica aos tíbios que embora pareça, a viagem não terminou; que eu,
possivelmente, tenha que avançar mais, pois devo carregar meu madeiro acima,
porque, embora não pareça, ainda falta a complementação dos a quem terceirizei
tarefas cujos resultados terei que entregar aos legítimos donos; que tanto eles
quanto eu só estamos, enquanto lutamos, esperando os artesãos terminarem os
seus artefatos no sentido de os entregar definitivamente aos verdadeiros donos
que a eles têm direito...
Que,
portanto, me ajudem agora no meu final de trajetória, que me estendam suas mãos
por mais um pequeno trecho porque já está ficando pesada a minha cruz e longe o
curto trecho do meu Gólgota, tão perto que eu o vejo daqui, donde estou e donde
também o vê; deem-me por um apoio a sua mão; tantos foram o mesmo pedido a
tantos e por muito poucos entendido.
Mas
falta pouco e eu não posso deixar incompleta a minha tarefa! Pois é isto que me
tem feito recorrer tanto ao Grande Pai, pois não quero chegar diante dele
estando completa a minha prova de redenção, que devo lhe entregar, e que o
faria rindo de alegria, pela vitória.
Já
riram muitos os que passaram por mim, dizendo que bem me preveniram que eu não
daria conta do rosário de esforços; nada lhes replico porque eles não sabem que
o meu dever está quase no final de uma valiosa repetição; que muitas vezes não
é a primeira ao monte rumo ao Gólgota que o pecado faz; há entre os caminhos os
poucos que a repetem pela terceira vez, ainda na primeira escalada.
Enquanto
a grande maioria faz a primeira ascensão ao Gólgota, não sabe ainda que poucos
e raros projetam a segunda ou até a terceira.
Espera
mais, amigo, um pouco mais e me ajudará a chegar ao topo, na sua primeira
subida aos rumos a que todos estamos predestinados...
Vamos!
Dá-me suas mãos, é só uma curta escora que não lhe pesará em nada, porém, me
aliviará demais; porque há o tempo em que os degraus estão fáceis, mas a
ascensão a eles está tão pesada; parece estar tão longe estando tão perto;
parece tão distante quando faltam poucos palmos; parecem tão escuras as barras
do horizonte que os patamares tão claros alumiam cada seixo do caminho que até
conto seus quantos posso tocar no tisnado do sol que os fazem brilhar à minha
frente.
Não,
não terei a terceira escalada. Devo buscar o meu refúgio e me preparar para
outra tarefa que o Eterno Pai me determinou para o tempo e o dia certo... Frente
à Eternidade.
Mas
não repetirei este trecho de provações estranhas por tanta ingenuidade nascida dos
corações humanos e plantada pela ganância inglória de mãos que não plantam, mas
que roubam das mãos dos que semeiam.
Pronto,
amigos, cheguei. Aqui eu fico. Deus lhes pague pela mão com que me auxiliaram...
Você me serviu de Cirineu e você, de Verônica e você, de Samaritana, pela água
que me deu, sem a qual eu não teria sorvido a Fonte da Água da Vida.
20/07/2016

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