sexta-feira, 5 de agosto de 2016

O CONFORTO DO BEM VIVIDO - 02/08/2016


Iron Junqueira

            Quando tenhamos alcançado um extenso caminho de lutas vencidas, de tempestades enfrentadas, as quais não veremos mais, descido vales transtornado montanhas e rompido muitos montes, e à sombra de uma paineira descansado...
            Olhando de cima o íngreme e tosco tempo transcorrido, damos por conta de que muito úteis fomos e nem o percebemos...
            Erguemos casas e abrigos, dando proteção e segurança a tantos; carregados a tristeza de muitos e a alegria também, notamos em nós uma diferença enorme quanto aos outros caminheiros.
            A gente explica aos tíbios que embora pareça, a viagem não terminou; que eu, possivelmente, tenha que avançar mais, pois devo carregar meu madeiro acima, porque, embora não pareça, ainda falta a complementação dos a quem terceirizei tarefas cujos resultados terei que entregar aos legítimos donos; que tanto eles quanto eu só estamos, enquanto lutamos, esperando os artesãos terminarem os seus artefatos no sentido de os entregar definitivamente aos verdadeiros donos que a eles têm direito...
            Que, portanto, me ajudem agora no meu final de trajetória, que me estendam suas mãos por mais um pequeno trecho porque já está ficando pesada a minha cruz e longe o curto trecho do meu Gólgota, tão perto que eu o vejo daqui, donde estou e donde também o vê; deem-me por um apoio a sua mão; tantos foram o mesmo pedido a tantos e por muito poucos entendido.
            Mas falta pouco e eu não posso deixar incompleta a minha tarefa! Pois é isto que me tem feito recorrer tanto ao Grande Pai, pois não quero chegar diante dele estando completa a minha prova de redenção, que devo lhe entregar, e que o faria rindo de alegria, pela vitória.
            Já riram muitos os que passaram por mim, dizendo que bem me preveniram que eu não daria conta do rosário de esforços; nada lhes replico porque eles não sabem que o meu dever está quase no final de uma valiosa repetição; que muitas vezes não é a primeira ao monte rumo ao Gólgota que o pecado faz; há entre os caminhos os poucos que a repetem pela terceira vez, ainda na primeira escalada.
            Enquanto a grande maioria faz a primeira ascensão ao Gólgota, não sabe ainda que poucos e raros projetam a segunda ou até a terceira.
            Espera mais, amigo, um pouco mais e me ajudará a chegar ao topo, na sua primeira subida aos rumos a que todos estamos predestinados...
            Vamos! Dá-me suas mãos, é só uma curta escora que não lhe pesará em nada, porém, me aliviará demais; porque há o tempo em que os degraus estão fáceis, mas a ascensão a eles está tão pesada; parece estar tão longe estando tão perto; parece tão distante quando faltam poucos palmos; parecem tão escuras as barras do horizonte que os patamares tão claros alumiam cada seixo do caminho que até conto seus quantos posso tocar no tisnado do sol que os fazem brilhar à minha frente.
            Não, não terei a terceira escalada. Devo buscar o meu refúgio e me preparar para outra tarefa que o Eterno Pai me determinou para o tempo e o dia certo... Frente à Eternidade.
            Mas não repetirei este trecho de provações estranhas por tanta ingenuidade nascida dos corações humanos e plantada pela ganância inglória de mãos que não plantam, mas que roubam das mãos dos que semeiam.
            Pronto, amigos, cheguei. Aqui eu fico. Deus lhes pague pela mão com que me auxiliaram... Você me serviu de Cirineu e você, de Verônica e você, de Samaritana, pela água que me deu, sem a qual eu não teria sorvido a Fonte da Água da Vida.

20/07/2016

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