Iron
Junqueira
Fim
de semana, meu amigo. Ocasião de fazeres um autoexame e observar como agiste no
decorrer desses sete dias. Se acaso agiste mal, deves esforçar-te a partir de
amanhã, para que, na próxima semana, possas agir melhor.
Quanto
mais erras, tanto mais amontoas débitos para a tua consciência. E ai de ti, se
não colocares um termo nos teus desvarios e desregramentos. Porque um dia as
consequências de todos os teus erros advirão contra ti, amarfanhando-te o
equilíbrio e desnorteando-te para o campo dos sofrimentos inenarráveis.
Sabes
que, na terra, a criatura, muitas vezes, consegue burlar a justiça dos homens,
mas nunca, jamais, consegue fugir da Justiça Divina.
Li
alhures (Faraó de Mernephtah) a respeito de um sábio superinteligente. No
entanto, ele usara mal os seus recursos intelectivos. Profundo conhecedor das
realezas transcendentais, compreendeu que, quando deixasse seus desatinos, sua
consciência já estaria a inquietá-lo até que pudesse lavar seu espírito
delituoso, conforme o ensinamento de Jesus, que nos esclareceu: “Pagarás ceitíl
por ceitíl por todos os males que fizeres...”
Esse
sábio, então, notando-se na decrepitude dos anos, avizinhando-se do fim,
resolveu superar a morte para fugir do próprio abismo. Injetara em sua veia um
remédio miraculoso daquela época cujo efeito era o de adormecer o corpo meio
século, sem que a morte o visitasse. E fez isso.
Num
cubículo bem lacrado, ali permaneceu o corpo do sábio, adormecido, durante
longos anos. Todavia, uma serpente, que nascera e crescera naquele espaço
estreito, certo dia alcançou o leito do homem, enroscou-se nele e o picou
violentamente, no coração.
O
sábio despertou de repente com o bote da serpe. Olhou para o seu corpo e o viu
enegrecido. Em seguida, morreu. Tentara burlar a Justiça Divina, depois de
haver vencido a justiça dos homens, mas, quando chegara exatamente o momento de
sua morte, ele despertara daquele sono provocado e sentiu o peso da realidade.
Despertara apenas para morrer, conforme seu carma.
No
espaço, o penitente chorou lágrimas de desespero. Sofrera os martírios de todos
os seus erros durante séculos de padecimentos. Só a Justiça Divina, após puni-lo
pelos seus crimes, pode, também, um dia, recuperá-lo para a Luz.
Não
penses meu amigo, que vencerás a Justiça Divina, após superares a justiça falha
dos homens. E mesmo que não acredites na sobrevivência da alma após a morte do
corpo — não abuses da tua liberdade. Procura ser melhor, na próxima semana.

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