segunda-feira, 14 de novembro de 2016

LABAREDAS -14-11-2016


Iron Junqueira

            Lenta e gradualmente, com o andar do transporte, as abóboras irão se acomodando em seu lugar. É só seguir em frente, deixar a frota ir sempre, que tudo se alojará.
            O Brasil é grande e extremamente rico; tão poderosamente rico que nem sabemos o de que é capaz este continente.
            Lembro-me de muitos anos atrás, quando as chamas de época seca engoliram parte incalculável da mata Amazônica; que fazia dó ver aquela nuvem de fumaça cobrir os céus; os animais, de toda espécie e tamanho, tentando refugiar-se nalgum lugar, para esconder-se e fugir das línguas de fogo. Eram dias seguidos de chamas consumidoras.
            Era uma tristeza ver a natureza ser devorada pelas vorazes lanças de fogo que subiam montanhas e desciam ladeiras; cadáveres de animais queimados emitindo fumaças e provocando maus cheiros incômodos.
            Desolados, os brasileiros viam aquelas imagens e perdiam a ilusão de poderem salvar tanta riqueza em fauna e flora, biodiversidade e tudo o mais que a lavareda daquele devastador dragão conseguia consumir.
            Vendo e pensando diante daquele espetáculo de horror...
Quando os dias se passarem e esse inferno fauce hiante, a terra se acalmará. E mais tempo outra estação fluirá da terra, e tudo o que perdemos agora — a floresta é um repositório de riqueza que não conhecemos — miúdas ervas, lentamente, renascerão ao sopro da viração, ao passear da brisa e ao pratear da lua, e logo os primeiros pingos d’água virão dessedentar a sede da terra e as sementinhas receberão a linfa que refresca e refaz;
            Logo, então, esverdeará o seco do chão e toda esta extensão irá se transformar num imenso tapete de grama e vegetação. Os animais reaparecerão das moitas, matos e locas, e dentro de, no máximo, quatro semanas, esta extensão Amazônica ressuscitará, para alegria dos nossos olhos e festa do nosso coração.
            Não esperei muito e a televisão mostrou o milagre da vida. Voltou ao local que fora desfolhado e que o fogo destruiu. Os animais corriam e pastavam pelas paragens. Os ramos estavam altos e os bandos de aves no ar festejavam novos e graciosos dias de beleza, cores e fartura.
            Assim também ocorre ao Brasil. Não é que devamos destruí-lo pelo fato de a natureza tudo renovar, porque aquele alvoroço que passou era riqueza com a qual nada fizemos de especial para os povos e gente doutras nações.
            Pequena chama pode ser evitada, antes que se transforme em labaredas.

            É isto.

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