Iron
Junqueira
Quando
as dificuldades atropelam os seus passos e você não tem um rumo a tomar,
pergunta a si mesmo: o que fazer? Pensa, pensa e responde a si mesmo:
— Não
sei.
As dores
se tornam cada vez mais cruéis, toda vez que procura um alívio, mas até os mais
sábios dos seus amigos lhe dizem:
—
Desculpe amigo... Não sei.
As
provações o acercam por todos os lados e você procura uma brecha para se livrar
delas, procura e, cansado, exclama:
— Não
sei.
Verdade
que a vida tem disso mesmo, labirintos sem saídas e perguntas sem respostas.
Até mesmo os mais ricos compêndios lhe dão silêncio como resposta e vem de novo
aquela triste lamentação...
— Não
sei.
Nem
todos nascem sabendo na vida. Aliás, ninguém nasce sabendo alguma coisa. A
gente vai, devagar, aprendendo.
Por isso,
não se acanhe de, ao invés de inventar, oferecer a dúvida como resposta ou
termina por errar e fazer outro errar. Por isso, então, a sua resposta deverá
ser:
— Não
sei.
Pende
sua fronte perante o reconhecimento de que só sabe quem sabe ou quem nos fez e,
perante a certeza de que Ele sabe, reconheça:
— Não
sei.
Sim,
reclinar na pequenez é grandeza diante do silêncio, porque o silêncio é o único
acerto para quem não quer errar. Acerta quem reconhece que diante do insondável
mistério da vida, pode transcorrer milênios de experiência, sabe alguma coisa
quem, diante do menor mistério, reconhece:
— Não
sei.
Porque o
“não sei” é a única grandeza que sabemos. Por isso o eterno repetir dos sábios
quando se quedam ao peso de uma dúvida ou ao peso de sua pequenez:
— Não
sei. Sim. De fato...
Não sei.
28-10-2016

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