terça-feira, 26 de abril de 2016

ASSIM COMO O SÂNDALO 26/04/2016

ASSIM COMO O SÂNDALO
Iron Junqueira



            “Sede, todos vós, como o sândalo, que perfuma o machado que o corta”.
            Esta é a lição da brandura que a consciência nos vem visitar, exortando-nos ao perdão das ofensas e ao esquecimento dos males que se cometem contra nós.
            O sândalo é a árvore que simboliza a virtude da mansidão e da humildade. Sempre que o machado o fere, sabe exemplificar a lição que o Cristo nos ensinou: paga o mal com o bem, perfumando o verdugo com a essência do perdão.
            Sejamos, pois, tal como essa árvore que o Senhor nos ofertou como exemplo de mansuetude e doçura, aprendendo a inundar nossa alma com o mesmo dom de bondade que o sândalo retém como sublime mensagem a cada um de nós.
            E quando então principiarmos a fazer o bem para os que nos fazem o mal; quando, vitima de um golpe na face, oferecermos, humildes, o outro lado do rosto; quando, objetos da injúria, da calúnia e do opróbrio, revidarmos os perseguidores com o perfume do perdão e da prece; e sempre que fizermos todo o bem possível a quem nos fizer todo o mal sem conta — então, começaremos a sentir, no foro da nossa alma, o divino alívio de quem, trazendo nas costas um fardo de chumbo, se vê livre do pesado jugo.
            Quando estivermos, tal como foi dito, perfumando, com a prece e com o perdão, a alma dos que nos ferem, estaremos imitando a árvore da bondade que o Pai nos doou como lição de brandura, e adquirindo, para os nossos espíritos rebeldes, as qualidades divinas de quem caminha para o Alto, de maneira mais acertada, em conquista da Ventura Maior.
            Estaremos marchando para a glória da própria alma — “perdoando antes de sermos perdoados, compreendendo antes de sermos compreendidos, e amando antes de sermos amados”.
Quando assim estivermos agindo, não haverá tempestades que nos abalarão o equilíbrio, e nem espadas bastante fortes que nos abrirão chagas no peito.
            Quando assim — tal como o sândalo —, estivermos convivendo com todos qual a calúnia capaz de nos ferir, e qual o verdugo que nos fará sofrer, se já substituímos os preconceitos humanos pelos preceitos dos céus?
            Qual o machado, aplicado contra nós com toda a violência, nos arrojará ao chão, se o perfume do perdão e da prece que o doamos representa principalmente, para nós, progresso e firmeza inabaláveis, uma vez que não há, e nunca haverá força maior que a do Amor?

            Aprendei, portanto, com o sândalo, a revidar todo mal com o Bem. Assim, estareis com o Cristo e Deus estará convosco — “e quando Deus está conosco, quem poderá estar contra nós”?

Nenhum comentário:

Postar um comentário