ASSIM
COMO O SÂNDALO
Iron
Junqueira
“Sede,
todos vós, como o sândalo, que perfuma o machado que o corta”.
Esta
é a lição da brandura que a consciência nos vem visitar, exortando-nos ao
perdão das ofensas e ao esquecimento dos males que se cometem contra nós.
O
sândalo é a árvore que simboliza a virtude da mansidão e da humildade. Sempre
que o machado o fere, sabe exemplificar a lição que o Cristo nos ensinou: paga
o mal com o bem, perfumando o verdugo com a essência do perdão.
Sejamos,
pois, tal como essa árvore que o Senhor nos ofertou como exemplo de mansuetude
e doçura, aprendendo a inundar nossa alma com o mesmo dom de bondade que o
sândalo retém como sublime mensagem a cada um de nós.
E
quando então principiarmos a fazer o bem para os que nos fazem o mal; quando, vitima
de um golpe na face, oferecermos, humildes, o outro lado do rosto; quando,
objetos da injúria, da calúnia e do opróbrio, revidarmos os perseguidores com o
perfume do perdão e da prece; e sempre que fizermos todo o bem possível a quem
nos fizer todo o mal sem conta — então, começaremos a sentir, no foro da nossa
alma, o divino alívio de quem, trazendo nas costas um fardo de chumbo, se vê
livre do pesado jugo.
Quando
estivermos, tal como foi dito, perfumando, com a prece e com o perdão, a alma
dos que nos ferem, estaremos imitando a árvore da bondade que o Pai nos doou
como lição de brandura, e adquirindo, para os nossos espíritos rebeldes, as
qualidades divinas de quem caminha para o Alto, de maneira mais acertada, em
conquista da Ventura Maior.
Estaremos
marchando para a glória da própria alma — “perdoando antes de sermos perdoados,
compreendendo antes de sermos compreendidos, e amando antes de sermos amados”.
Quando assim
estivermos agindo, não haverá tempestades que nos abalarão o equilíbrio, e nem espadas
bastante fortes que nos abrirão chagas no peito.
Quando
assim — tal como o sândalo —, estivermos convivendo com todos qual a calúnia
capaz de nos ferir, e qual o verdugo que nos fará sofrer, se já substituímos os
preconceitos humanos pelos preceitos dos céus?
Qual
o machado, aplicado contra nós com toda a violência, nos arrojará ao chão, se o
perfume do perdão e da prece que o doamos representa principalmente, para nós,
progresso e firmeza inabaláveis, uma vez que não há, e nunca haverá força maior
que a do Amor?
Aprendei,
portanto, com o sândalo, a revidar todo mal com o Bem. Assim, estareis com o
Cristo e Deus estará convosco — “e quando Deus está conosco, quem poderá estar
contra nós”?

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