segunda-feira, 25 de abril de 2016

PARA FRENTE E PARA O ALTO

PARA FRENTE E PARA O ALTO
Iron Junqueira



         Amigo: repara bem, a tua vida.
         Deus tudo te deu: dinheiro, saúde, um lar.
         Um gabinete de trabalho, onde mandas e não és mandado.
         Uma esposa dedicada e humilde, que te atende todos os caprichos.
         Uns filhinhos alegres e sadios, encantando o teu coração.
         Deus tudo te deu: um nome respeitado; uma posição social invejada. Largo círculo de amizades. Uma casa confortável e um carro de luxo.
         Além de recursos econômicos sempre crescentes nas casas bancárias, Deus te deu ainda o maior tesouro da vida: o conhecimento das verdades não reveladas “aos doutos e sábios do mundo”, a fim de que pudesses, assim, melhorar a tua condição espiritual.
         Não há, como vês, motivos para queixas. Até o discernimento cristalino quanto às suas leis, te foi dado, amigo, para acertares desta vez, fazendo todo bem possível: aplicando, em favor dos outros, os teus dotes de inteligência, a tua saúde, a tua posição e, pelo menos, o supérfluo da tua mesa, bem como a tua fortuna, que devia estar sendo ministrada, caridosamente, em benefício de quantos carecem da tua compaixão.
         No entanto, que fazes de especial? Pelo visto, não sabes, sequer, mostrar gratidão ao Grande Doador que tudo, enfim, te emprestou, temporariamente, pois é sabido por ti que, da terra, nada levarás a não ser tua consciência tranquila pelo dever retamente cumprido ou atormentado pelo bem que deixaste de fazer, quanto podias.
         Repara, atentamente: procuras desviar os olhos até mesmo dos fracos e oprimidos atirados a um canto da vida, quais refugos humanos, sem Deus, sem pão, sem lar.
         Nem te lembras do magro menininho que, enfermo, dorme nas sarjetas, tiritando de frio e gemendo de fome?
         O que estás fazendo, meu caro, com os teus talentos?
         Bebes do bom vinho. Não há mal nisto, há? Comes do melhor. Passeias com a família toda tarde. Entregas-te às distrações favoritas e levas uma vida a gosto. Não há, em tudo isto, motivo de censura.
         Todavia, não te esqueças: “a quem muito foi dado, muito será pedido”.
         Tropeçará um dia no túmulo e despertarás do outro lado da vida e, o que será pior — de mãos vazias.
         E te será exigida a prestação de contas:
         — “Que fizeste dos talentos que te dei”?

         O que haverás de responder? Nada, apesar de tantas chances. E grande será a tua ruína!


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