segunda-feira, 29 de agosto de 2016

FICA A NOSSA TRISTEZA - 26/08/2016

Iron Junqueira

            De certa época aos dias de agora, tudo foi mudando lenta e gradualmente, no país. O preço das coisas foi aumentando. De tudo mesmo. Havia estatais com acessibilidade educada e gentileza ao público; de repente, como se uma determinação maior mandasse, acabou o bom atendimento pessoal. Nas agências bancárias do governo, atendimento civilizado só entre os que vão negociar mi, tri, ou mais, com os gerentes. Até aqueles funcionários educados tornaram-se autoritários e arrogantes. Com exceções, óbvio. E a clientela, pobre, mal atendida, foi fechando suas contas, pois qualquer quantia irrisória que o cliente vai movimentar tem que esperar autorização ou liberação de São Paulo. Deve ser do tal Foro.
            A estatal do trânsito ficou voraz nas multas e antecipando, inclusive, taxa de IPVA, e com advogados trabalhando em favor dessas repartições, cobrando carimbada por carimbada em cada documento que expede. E seus servidores mentem com a mesma facilidade que Lula. Brigam e aparecem os advogados de plantão — que tudo veem, fiscalizam e processam, mentindo: se a multa foi por uso da vaga por idoso sendo o usuário um “ancião”, mentem, entre eles, dizendo que ele utilizou o espaço destinado a “deficiente físico”; e se foi provada a verdade, então emendam com o pretexto de que faltava um documento provando que o cidadão é idoso, como se ninguém no Brasil, soubesse distinguir um velho de outro que não é; e falam que é lei, de fato “virou” lei, embora contrariasse a Constituição, o Estatuto do Idoso, e por aí vai, molestando o “cliente”, com ameaças e palavras ditas em tom grave, para intimidar.
            Não para aí. Qualquer prestação de serviço ao público, a repartição ou empresa particular cobra uma taxa que, antes, era mero comprovante, agora é cobrada. O governo ensinou a tirar uma porcentagem em tudo, nem que seja uma moeda de 25 centavos que, recebida de todos, vira milhares e, estes, em milhões, então o público aprendeu o mau hábito. Se você vai pagar uma multa, todo atendente tira sua moedinha, ou seja, cobra seu serviço, mesmo quando se trata de funcionário remunerado. Cobram um custo sobre tudo. Sem exagero. Até estacionamentos em lotes vazios, em locais públicos, contam com um estranho “dono”, e cobram o preço que eles mesmos estipulam. Um inglês que alugou um apartamento em Anápolis, assustado com o excesso de cobranças de todo tipo e valor, voltou para o seu país dizendo que, no Brasil, a pilhagem ficou geral e generalizada. “Nem só departamento particular, todo pequeno valor tinha um preço a pagar”. “De carimbo a carimbo”. Quantas rubricas postas no papel. Era um débito a pagar. Vocês se lembram daquelas mulheres pobres que ficavam nos semáforos distribuindo panfletos para comerciantes e profissionais? E estes lhes gratificavam sem preço obrigatório? Aquilo virou empresa fechada. Transformou-se em firma (não entro em detalhes) de atendimento ditatorial. Aos poucos as pessoas vão dispensando o trabalho dos serviçais devido a essa intromissão. No Brasil, tão pobre agora, tem-se que pagar por tudo; até pelo inesperado; de repente multa por farol apagado nas vias estaduais e federais; multa através de radar eletrônico, cuja arrecadação era tanta que não tinha postos suficientes para atender a todos; esses políticos sempre conseguem meter a mão em todo proveito que possam tirar do povo, estando eles com seus salários reajustados quando faltam médicos e remédios, vacinas e recursos urgentes para socorrer os doentes, que constituem uma avalanche deles nos postos e hospitais que não passam de fachadas.
            Não importa a eles se os doentes não podem esperá-los resolver seus entreveros políticos, particulares; e tais enfermos, muitos deles, morrem nos corredores dos nosocômios; ficando os senhores administradores utilizando seus cargos pro forma, pois na verdade estão visando o particular, nunca o coletivo; não estou generalizando.
            Existem os representantes probos do povo e dignos do respeito em todos os partidos. Não adianta, por exemplo, o Ministro Gilmar Mendes querer extinguir um partido que, nessa sigla, há gente boa, como tem os corruptos e os corruptores, porque, tão logo anulem a legenda, tem uma Rede de outras siglas esquerdóides, comunistas e, até, similar ao nazismo; há, por sinal, movimentos que nem partidos políticos são, mas que agem clandestinamente espalhando a politica criminosa que invade fazendas comanda quadrilhas de tráficos e cometem delitos — os piores — apoiados pelos falcatrueiros revestidos de siglas agindo sob legendas partidárias, sem registro e — pior é que diante dos delitos que cometem, ficam ou ficavam impunes. Leem que pelo menos os invasores de terra denominados MST estão sendo punidos. Mas somente agora? Deu tempo demais para muitos bandidos se enriquecerem agindo com seus grupos invasores e criminosos.
            Eles têm — os líderes — caminhonetas caríssimas, mansões e fazendas cheias de gado, mas o que fizeram de correto, para terem tudo do bom e do melhor? Não faz tempo havia um grupo dos “Sem Terra” em Paris com a bandeira do movimento, gente... Protestando! Nós, quem trabalha neste país, é que devíamos estar protestando contra a ação delituosa desses desocupados sem Q.I. e dotados de tonteira. Aonde conseguiram dinheiro para um passeio internacional num dos países mais belos e ricos do planeta?

            Fica a nossa tristeza.

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