Iron
Junqueira
De
certa época aos dias de agora, tudo foi mudando lenta e gradualmente, no país.
O preço das coisas foi aumentando. De tudo mesmo. Havia estatais com
acessibilidade educada e gentileza ao público; de repente, como se uma
determinação maior mandasse, acabou o bom atendimento pessoal. Nas agências
bancárias do governo, atendimento civilizado só entre os que vão negociar mi,
tri, ou mais, com os gerentes. Até aqueles funcionários educados tornaram-se
autoritários e arrogantes. Com exceções, óbvio. E a clientela, pobre, mal
atendida, foi fechando suas contas, pois qualquer quantia irrisória que o
cliente vai movimentar tem que esperar autorização ou liberação de São Paulo.
Deve ser do tal Foro.
A
estatal do trânsito ficou voraz nas multas e antecipando, inclusive, taxa de
IPVA, e com advogados trabalhando em favor dessas repartições, cobrando
carimbada por carimbada em cada documento que expede. E seus servidores mentem
com a mesma facilidade que Lula. Brigam e aparecem os advogados de plantão —
que tudo veem, fiscalizam e processam, mentindo: se a multa foi por uso da vaga
por idoso sendo o usuário um “ancião”, mentem, entre eles, dizendo que ele
utilizou o espaço destinado a “deficiente físico”; e se foi provada a verdade,
então emendam com o pretexto de que faltava um documento provando que o cidadão
é idoso, como se ninguém no Brasil, soubesse distinguir um velho de outro que
não é; e falam que é lei, de fato “virou” lei, embora contrariasse a
Constituição, o Estatuto do Idoso, e por aí vai, molestando o “cliente”, com
ameaças e palavras ditas em tom grave, para intimidar.
Não
para aí. Qualquer prestação de serviço ao público, a repartição ou empresa
particular cobra uma taxa que, antes, era mero comprovante, agora é cobrada. O
governo ensinou a tirar uma porcentagem em tudo, nem que seja uma moeda de 25
centavos que, recebida de todos, vira milhares e, estes, em milhões, então o
público aprendeu o mau hábito. Se você vai pagar uma multa, todo atendente tira
sua moedinha, ou seja, cobra seu serviço, mesmo quando se trata de funcionário
remunerado. Cobram um custo sobre tudo. Sem exagero. Até estacionamentos em
lotes vazios, em locais públicos, contam com um estranho “dono”, e cobram o
preço que eles mesmos estipulam. Um inglês que alugou um apartamento em
Anápolis, assustado com o excesso de cobranças de todo tipo e valor, voltou
para o seu país dizendo que, no Brasil, a pilhagem ficou geral e generalizada.
“Nem só departamento particular, todo pequeno valor tinha um preço a pagar”.
“De carimbo a carimbo”. Quantas rubricas postas no papel. Era um débito a
pagar. Vocês se lembram daquelas mulheres pobres que ficavam nos semáforos
distribuindo panfletos para comerciantes e profissionais? E estes lhes
gratificavam sem preço obrigatório? Aquilo virou empresa fechada.
Transformou-se em firma (não entro em detalhes) de atendimento ditatorial. Aos
poucos as pessoas vão dispensando o trabalho dos serviçais devido a essa
intromissão. No Brasil, tão pobre agora, tem-se que pagar por tudo; até pelo
inesperado; de repente multa por farol apagado nas vias estaduais e federais;
multa através de radar eletrônico, cuja arrecadação era tanta que não tinha
postos suficientes para atender a todos; esses políticos sempre conseguem meter
a mão em todo proveito que possam tirar do povo, estando eles com seus salários
reajustados quando faltam médicos e remédios, vacinas e recursos urgentes para
socorrer os doentes, que constituem uma avalanche deles nos postos e hospitais
que não passam de fachadas.
Não
importa a eles se os doentes não podem esperá-los resolver seus entreveros
políticos, particulares; e tais enfermos, muitos deles, morrem nos corredores
dos nosocômios; ficando os senhores administradores utilizando seus cargos pro forma,
pois na verdade estão visando o particular, nunca o coletivo; não estou
generalizando.
Existem
os representantes probos do povo e dignos do respeito em todos os partidos. Não
adianta, por exemplo, o Ministro Gilmar Mendes querer extinguir um partido que,
nessa sigla, há gente boa, como tem os corruptos e os corruptores, porque, tão
logo anulem a legenda, tem uma Rede de outras siglas esquerdóides, comunistas
e, até, similar ao nazismo; há, por sinal, movimentos que nem partidos
políticos são, mas que agem clandestinamente espalhando a politica criminosa
que invade fazendas comanda quadrilhas de tráficos e cometem delitos — os
piores — apoiados pelos falcatrueiros revestidos de siglas agindo sob legendas
partidárias, sem registro e — pior é que diante dos delitos que cometem, ficam
ou ficavam impunes. Leem que pelo menos os invasores de terra denominados MST
estão sendo punidos. Mas somente agora? Deu tempo demais para muitos bandidos
se enriquecerem agindo com seus grupos invasores e criminosos.
Eles
têm — os líderes — caminhonetas caríssimas, mansões e fazendas cheias de gado,
mas o que fizeram de correto, para terem tudo do bom e do melhor? Não faz tempo
havia um grupo dos “Sem Terra” em Paris com a bandeira do movimento, gente...
Protestando! Nós, quem trabalha neste país, é que devíamos estar protestando
contra a ação delituosa desses desocupados sem Q.I. e dotados de tonteira.
Aonde conseguiram dinheiro para um passeio internacional num dos países mais
belos e ricos do planeta?
Fica
a nossa tristeza.

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